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IV Congresso Nacional de Linguagens em interação: Múltiplos Olhares - Trabalhos
TRABALHOS
CAPA CONALI DADOS CATALOGRÁFICOS

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O CONFRONTO UDR E MST NA CAPA DA VEJA

Sub-tema: Lin11 - ANÁLISES TEXTUAIS E DISCURSIVAS: PROBLEMATIZANDO SUJEITOS, SENTIDOS, LÍNGUA, HISTÓRIA E MEMÓRIA
Titulo: O CONFRONTO UDR E MST NA CAPA DA VEJA Clique para fazer o download do trabalho
Autores: Airton Donizete de Oliveira
Resumo: O confronto UDR e MST na capa da Veja Autor: Airton Donizete de Oliveira Mestrando em Comunicação Visual Universidade Estadual de Londrina Palavras-chave: UDR; MST; Veja. O trabalho em questão analisa uma capa da revista Veja publicada em 19 de junho de 1985, com os dizeres: “Reforma agrária: Os fazendeiros se armam – ‘invasor que pisar aqui leva chumbo. Vem que tem’, Trajano Bicalho, guardião da fazenda Camarões no Norte de Goiás”. Em seu conselho aos editores, Scalzo (2009, p. 64) afirma: “Olhe para a capa não como um belo quadro, uma obra de arte, mas como um elemento editorial, que tem a função estratégica de definir a compra de seu produto pelos leitores em potencial”. Para analisar a presente capa é utilizada a metodologia Análise do Discurso (doravante apenas AD). Nesta capa há uma relação de poder entre os fazendeiros, que se defendem com jagunços armados; e os Sem-Terra, que promovem ocupações de terra e forçam a realização da reforma agrária. Em 1984, um ano antes da publicação da capa em questão, surgia o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que começava a realizar ocupações de terra. O enunciado “Os fazendeiros se armam” traz em sua estrutura um vazio semântico: se armam contra quem? Não é difícil para o leitor recuperar a ideia de que eles se armam contra os Sem-Terra. No trecho, “invasor que pisar aqui leva chumbo”, temos uma referência aos Sem-Terra designada a partir de uma formação discursiva capitalista. É bom lembrar que na mesma época nascia a União Democrática Ruralista (UDR). Um dos seus objetivos era combater os Sem-Terra. Com uma chamada curta, a fotografia realça o poder visual da capa em questão. Um senhor de chapéu com uma carabina na mão esquerda e um revólver do lado direito da cintura. Uma cerca atrás dele reforça o símbolo de poder. E o eufemismo “guardião” para não dizer jagunço. Orlandi afirma (1999, p. 42): É bom lembrar: na AD, não menosprezamos a força que a imagem tem na constituição do dizer. O imaginário faz necessariamente parte do funcionamento da linguagem. Ele é eficaz. Ele não “brota” do nada: assenta-se no modo como as relações sociais se inscrevem na história e são regidas, em uma sociedade como a nossa, por relação de poder. A imagem que temos de um professor, por exemplo, não cai do céu. Ela se constitui nesse confronto do simbólico com o político, em processos que ligam discursos e instituições. Desse modo é que acreditamos que um sujeito na posição de professor de esquerda fale “X” enquanto um de direita fale “Y”. O trecho “Invasor que pisar aqui leva chumbo. Vem que tem” polemiza a questão. Para os latifundiários é importante que isso ocorra, pois assim eles mostram seu poder e força. Mesmo disfarçadamente, os grandes proprietários de terra estão na capa. “Não adianta os protagonistas jurarem que dispensariam completamente o conflito, que eles só entram na disputa obrigados; de fato, eles estão desde sempre envolvidos nela”-Maingueneau (2008, p. 113).
Palavras-chave: UDR;MST;Veja.